Na primeira aula em 2026, Ivan Welter (cofundador e Head de Vendas na WZ Soluções) compartilhou um panorama estratégico para quem vende no mercado B2B.
Baseado em estudos da Forrester, Gartner e sua vivência com decisores de tecnologia, ele revelou três comportamentos que estão redesenhando o processo de compra e, por consequência, exigindo uma nova postura dos times comerciais.
Mais do que tendências, o que vimos foram alertas práticos: ou você adapta sua forma de influenciar, ou será deixado de fora do jogo real de decisão.
Vamos aos pontos centrais e como aplicar no seu contexto.
1. O “Dark Funnel” já começou e você pode estar invisível
A jornada do comprador não começa mais quando ele baixa um eBook ou responde uma cadência. Ela começa muito antes, em pesquisas autônomas, fóruns privados, benchmarks entre pares e conteúdos não rastreáveis.
Esse é o “Dark Funnel”: o espaço onde o decisor forma opinião antes mesmo de falar com um vendedor.
Como atuar aqui:
- Crie conteúdo útil e direto para o seu ICP, mesmo que ele não gere leads imediatos.
- Faça com que sua marca e seus especialistas apareçam onde o comprador busca confiança (ex: LinkedIn, comunidades fechadas, eventos técnicos).
- Priorize SEO e distribuição estratégica. Ser encontrado é tão importante quanto ser bom.
2. A prova vem antes da proposta
Em 2026, o teste virou requisito. Decisores querem experimentar, validar na prática e envolver o time antes de assinar qualquer contrato.
Não basta ter um trial genérico. É preciso criar experiências guiadas que ajudem o cliente a projetar o valor real da solução no seu próprio cenário.
Como aplicar:
- Incorpore testes ou POCs (proof of concept) no playbook comercial, com escopo, metas e tempo definidos.
- Treine o time para conduzir esses testes com foco em ROI e eficiência, não só em funcionalidades.
- Use esses testes como mecanismo de qualificação: quem engaja nessa fase está muito mais perto do fechamento.
3. A decisão é mais coletiva do que nunca
Para diluir riscos e justificar o investimento, os decisores estão envolvendo mais áreas, mais níveis e mais vozes no processo. Isso torna o ciclo de vendas mais longo, mas também mais legítimo.
O desafio é vender para múltiplos interesses ao mesmo tempo, sem perder a clareza da proposta de valor.
Dicas para o time comercial:
- Mapeie todos os stakeholders envolvidos (usuário, técnico, financeiro, executivo).
- Adapte sua narrativa para cada perfil: o CFO quer previsibilidade, o time operacional quer agilidade, o sponsor quer segurança política.
- Antecipe objeções internas e ajude o sponsor a vender a solução internamente.
4. Menos informação, mais clareza
Vivemos a era do excesso de conteúdo. E isso gera um efeito paradoxal: confusão mental que paralisa decisões.
O vendedor consultivo de 2026 não é um “passador de slides”. É um organizador de ideias.
Na prática:
- Enquadre a conversa com estrutura e propósito. Comece pelo problema certo.
- Filtre o que realmente importa para a decisão e elimine o que distrai.
- Tenha clareza sobre o ROI esperado desde o início. Isso não é um detalhe técnico, é o que abre portas.
A venda começa na eficiência
Pressão por resultado, corte de orçamentos e times mais enxutos. Esse é o contexto dos decisores em 2026. E isso muda o que eles consideram valor.
Mais do que promessas, eles querem eficiência comprovada, desde o primeiro contato.
O que isso exige de você:
- Mostre desde o início como sua solução ajuda o cliente a “fazer mais com menos”.
- Conecte sua proposta à estratégia operacional da empresa, não só à área compradora.
- Use métricas e cases reais. Vendas baseadas em expectativa já não sustentam o processo.
Conclusão
O comprador B2B de 2026 é mais cético, mais pressionado e mais informado. Mas também está mais disposto a comprar, desde que veja clareza, segurança e valor logo de cara.
A pergunta que fica é: sua abordagem comercial está preparada para esse novo jogo? Ou ainda está tentando gerar interesse em um funil que o cliente já percorreu sozinho?














