Posicionamento conjunto: como alinhar estratégia e proposta de valor com parceiros

Parcerias são responsáveis por 75% do faturamento das empresas B2B no Brasil. É o que compartilhou Vincent Parachini, Gerente de Parcerias LATAM na Halifax Consulting, em sua aula na PipeLovers. 

Apesar desse peso, muitas empresas ainda tratam canais como uma extensão operacional e não como uma frente estratégica de crescimento.

O problema é quando não há clareza de propósito, ambição e proposta de valor, o parceiro não sabe o que entregar, e você não sabe o que cobrar. A consequência é um canal desalinhado, improdutivo e frustrado dos dois lados.

A “casinha” do canal: por onde começar o posicionamento conjunto

A metodologia ROC propõe construir o modelo de canais a partir de três pilares:

  1. Propósito: por que a empresa está investindo em parcerias? Qual problema o canal resolve?
  2. Ambição: quais metas esse modelo precisa atingir? Em quais prazos?
  3. Gaps: onde estão os buracos de cobertura (geográfica ou de segmento) que justificam a busca por parceiros?

Sem essa estrutura, a escolha de parceiros vira um jogo de feeling. E feeling, no B2B, custa caro.

Nem todo parceiro é igual, e tudo bem

Outro erro comum é tratar todos os parceiros como se fossem parte do mesmo jogo. A ROC propõe a segmentação dos modelos de atuação em três categorias:

  1. Sell-for: o parceiro revende sua solução, com pouca ou nenhuma interferência do time interno.
  2. Sell-through: há distribuição, mas com valor agregado, como implementação, suporte ou adaptação.
  3. Sell-with: atuação conjunta, onde o parceiro participa ativamente do ciclo de venda.

Essa classificação não é teórica: ela define qual suporte o parceiro precisa, que tipo de capacitação será necessária e até como será feita a remuneração. Mais do que isso, permite construir uma operação multicanal, onde diferentes tipos de parceria coexistem de forma orquestrada.

Parceiro bom é parceiro bem escolhido

Um bom canal não se mede apenas pela carteira de clientes, mas pela capacidade de colaborar, gerar valor e construir mercado junto. Por isso, a escolha de parceiros precisa considerar:

  • Capacidade de execução comercial
  • Complementaridade com sua proposta de valor
  • Fit estratégico com os gaps mapeados

É uma seleção ativa, não passiva. E que deve ser revisitada periodicamente, com base em performance e aderência à estratégia.

Gestão de canal é gestão de time

No fim das contas, a performance do parceiro depende do quanto ele se sente parte do jogo. Isso significa:

  • Acesso a metas e indicadores claros
  • Comunicação contínua e transparente
  • Alinhamento com campanhas e posicionamento de mercado

Tratar canal como ativo estratégico é tratá-lo como time: com recursos, governança e visão de longo prazo.

Parceria não é um atalho para escalar vendas, é um canal tão complexo quanto uma operação direta. E só gera resultado quando começa com estratégia.

PATROCINADORES

Por trás de times de alta performance, estão as melhores ferramentas.

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