Poucas frases travam tanto uma primeira conversa quanto: “acho que está caro”. Na aula da PipeLovers, Lucas Sena, sócio proprietário da Menver, trouxe uma visão prática sobre como SDRs podem reduzir objeções de custo logo nas primeiras interações, não fugindo do preço, mas conduzindo melhor o diagnóstico antes dele.
Porque, na maior parte das vezes, a objeção de custo não nasce do orçamento. Ela nasce da ausência de valor percebido.
É como entrar em uma loja e dizer “estou só olhando”. Nem sempre significa falta de interesse. Muitas vezes, é apenas um mecanismo de defesa para evitar pressão, ganhar tempo ou entender melhor o cenário antes de se comprometer.
Em vendas B2B, acontece a mesma coisa.
Nem toda objeção de preço é sobre dinheiro
Quando o lead diz que está caro logo no início, o erro mais comum é o SDR assumir que o problema é orçamento. Mas essa fala pode esconder outras questões:
- O lead ainda não entendeu o valor da solução.
- O problema não parece urgente.
- A dor existe, mas não foi aprofundada.
- A empresa ainda está em fase de avaliação.
- O lead está se protegendo de uma conversa comercial agressiva.
Por isso, a primeira reação não deve ser justificar preço. Deve ser investigar contexto.
Uma pergunta simples muda o rumo da conversa: “Quando você diz que está caro, caro em relação ao quê?”
Essa pergunta tira a objeção do campo abstrato e ajuda a entender o critério de comparação. Caro em relação ao concorrente? Ao orçamento disponível? Ao problema que ele acha que tem? Ao momento da empresa? Ao que ele imaginava gastar?
Sem essa clareza, qualquer resposta vira chute.
O SDR não precisa explicar mais
SDRs menos experientes tendem a reagir à objeção explicando a solução. Falam mais sobre funcionalidades, diferenciais, cases, tecnologia e benefícios.
Mas, se o lead ainda não entendeu a gravidade do próprio problema, explicar a solução cedo demais pode gerar resistência.
O papel da pré-venda não é despejar argumentos. É ajudar o lead a entender melhor o problema que ele vive.
Isso significa fazer perguntas abertas, como:
- “Como esse problema aparece hoje na operação?”
- “O que acontece quando isso não é resolvido?”
- “Quem mais é impactado por esse cenário?”
- “Que tipo de perda isso gera para o time?”
- “O que vocês já tentaram fazer para resolver?”
- “Esse tema é prioridade agora ou ainda está em fase de avaliação?”
Perguntas assim abrem espaço para respostas mais completas. Já perguntas fechadas, como “vocês têm esse problema?” ou “isso é prioridade?”, tendem a gerar respostas curtas demais para construir valor.
Diagnóstico raso gera objeção forte. Diagnóstico profundo cria contexto.
Investigar a dor não basta
Um dos erros mais comuns na pré-venda é parar na identificação da dor.
O lead diz: “temos dificuldade em gerar leads qualificados”. O SDR anota a dor e já parte para a solução.
Mas a pergunta mais importante vem depois: qual é o impacto disso?
Porque uma dor sem impacto não cria urgência. E sem urgência, qualquer preço parece alto.
É diferente ouvir: “Temos dificuldade em gerar leads qualificados.”
E ouvir: “Temos dificuldade em gerar leads qualificados, por isso o time comercial perde tempo com contas sem fit, a conversão cai, o CAC aumenta e estamos ficando abaixo da meta há três meses.”
A dor é a mesma. O valor percebido muda completamente.
Por isso, o SDR precisa entender o “tamanho do buraco”. Quanto custa não resolver? Quanto tempo o time perde? Quantas oportunidades deixam de avançar? Qual risco aparece se nada mudar nos próximos meses?
A objeção de custo diminui quando o lead percebe que o custo da ineficiência pode ser maior do que o investimento na solução.
Cuidado com dois extremos: esconder preço ou falar cedo demais
Existe um equilíbrio importante.
Falar de preço cedo demais, antes de construir valor, pode fazer a solução parecer cara. Mas proteger demais o preço também pode gerar o mesmo efeito.
Quando o SDR desvia repetidamente, o lead pode pensar: “se estão evitando falar, deve ser muito caro”.
O ponto não é esconder, mas contextualizar.
Antes de abrir valor, vale entender minimamente:
- Qual problema está sendo investigado?
- Qual impacto esse problema gera?
- Quem sente esse impacto?
- Existe prioridade real?
- O lead está comparando com qual referência?
Se o lead insiste muito em preço, é melhor abrir a conversa com transparência, mas sem abandonar o contexto. O preço sozinho é só um número. O preço conectado ao problema vira investimento.
Urgência não se força. Urgência se constrói
Outro ponto essencial: o lead pode reconhecer a dor e, ainda assim, não querer agir agora.
Isso acontece porque dor e prioridade não são a mesma coisa.
Muitas empresas convivem com problemas conhecidos por meses ou anos. O papel do SDR é ajudar o lead a perceber as consequências de manter tudo como está.
Alguns caminhos para construir urgência:
● Mostrar perdas de oportunidade.
● Explorar riscos futuros.
● Entender custos operacionais escondidos.
● Mapear áreas afetadas.
● Comparar cenário atual com cenário desejado.
● Conectar a dor aos objetivos de negócio.
Uma pergunta poderosa aqui é: “O que acontece se vocês não resolverem isso nos próximos meses?”
Essa pergunta tira a conversa do presente e leva o lead a visualizar a consequência. E consequência é uma das bases da urgência.
Reduzir objeção de custo começa no início da conversa
Muitos SDRs tentam contornar objeções no fim da ligação. Mas a objeção de custo geralmente é construída, ou reduzida, desde os primeiros minutos.
Se a conversa começa genérica, superficial e focada na solução, o lead tende a comparar preço.
Se a conversa começa com diagnóstico, contexto e impacto, o lead tende a comparar valor.
A diferença está na condução.
Um SDR mais maduro não tenta vencer a objeção com uma frase pronta. Ele entende o que está por trás dela. Às vezes, é orçamento. Mas muitas vezes é insegurança, falta de prioridade, baixa percepção de impacto ou simples defesa contra uma abordagem comercial mal conduzida.
Não existe fórmula mágica. Existe fundamento bem executado.
No fim das contas…
Objeção de custo não se reduz com desconto. Se reduz com clareza.
O SDR que entende o contexto, aprofunda a dor, investiga impacto e ajuda o lead a enxergar o custo da inação cria uma conversa muito mais forte. Não porque empurra valor, mas porque constrói valor junto com o lead.












