Você provavelmente já ouviu a recomendação clássica: “faça networking”.
Mas a verdade é que grande parte do networking feito hoje é superficial e pouco eficaz.
Na aula conduzida por Guilherme Bonaroti, diretor de operações de tecnologia da Better Now, surgiu uma provocação poderosa: o problema não é a falta de contatos, e sim a falta de conexões reais.
Muita gente acumula milhares de contatos no LinkedIn, mas tem poucas pessoas com quem realmente poderia contar.
E isso revela uma diferença importante: networking é quantidade. Conexão é profundidade.
No mundo profissional, especialmente no B2B, as oportunidades quase nunca aparecem sozinhas. Entre você e qualquer oportunidade relevante, sempre existe outra pessoa.
A pergunta, então, muda completamente: que tipo de relacionamento você está construindo hoje?
Networking cria contatos, conexões criam confiança
Networking, na sua forma mais comum, é focado em troca rápida: cartões, conexões no LinkedIn, mensagens genéricas.
O problema é que esse tipo de interação raramente gera vínculo real.
Conexões verdadeiras surgem quando há interesse genuíno pelo outro, não apenas pelo cargo que ele ocupa.
Isso significa mudar a lógica da abordagem:
- Em vez de falar com “o Head de Vendas da empresa X”, falar com uma pessoa com história, contexto e desafios próprios.
- Em vez de enviar mensagens padrão, iniciar conversas reais.
- Em vez de pensar em “o que posso ganhar?”, pensar em quem é essa pessoa e o que podemos aprender um com o outro.
Quando isso acontece, o relacionamento deixa de ser transacional e passa a ser relacional.
E relacionamentos são ativos de longo prazo.
O erro comum: só construir relacionamento quando precisa
Um dos maiores equívocos profissionais é buscar conexões apenas quando surge uma necessidade.
Quando alguém precisa de uma vaga, uma indicação ou fechar uma venda, é comum recorrer à rede de contatos.
Mas se o relacionamento não foi cultivado antes, a conexão tende a ser frágil.
Relacionamentos profissionais mais fortes seguem uma lógica diferente: eles são construídos antes da necessidade aparecer.
Isso cria algo fundamental em qualquer interação profissional: confiança.
Quando a confiança já existe, as conversas são mais abertas, as portas se abrem com mais facilidade e as oportunidades aparecem com mais naturalidade.
Em eventos, qualidade vence quantidade
Eventos corporativos costumam incentivar um comportamento clássico: falar com o máximo possível de pessoas.
Mas isso nem sempre gera resultado.
Trocar dezenas de contatos em poucas horas geralmente resulta em interações esquecidas no dia seguinte.
Uma abordagem mais estratégica é priorizar profundidade sobre volume.
Algumas práticas simples fazem diferença:
- Revisitar pessoas que você já conhece e fortalecer o vínculo.
- Dedicar tempo a conversas mais significativas.
- Criar pelo menos uma nova conexão genuína em cada evento.
No longo prazo, poucos relacionamentos bem cultivados geram muito mais oportunidades do que uma lista enorme de contatos frios.
Conexões precisam de agenda
Outro ponto importante é que conexões não acontecem por acaso, elas precisam de intenção.
Uma prática interessante é reservar tempo na agenda para conhecer pessoas novas regularmente, sem necessariamente ter um objetivo comercial imediato.
Pode ser um café, uma conversa rápida ou um encontro virtual.
Alguns profissionais adotam metas simples, como conversar com duas pessoas novas por semana.
Não se trata de prospectar e sim de ampliar o repertório de relações.
Com o tempo, essas conversas criam um ecossistema de confiança e troca que pode gerar oportunidades inesperadas.
No fim das contas…
Carreira, vendas e negócios são feitos por pessoas.
A tecnologia ajuda, organiza processos e estratégias direcionam, mas são os relacionamentos que abrem portas.
Por isso, talvez a pergunta mais importante não seja quantas conexões você tem, mas quantas relações reais você está construindo.














