Toda empresa quer aproveitar o potencial da inteligência artificial.
Investe em novos modelos, testa agentes, busca ferramentas de automação e acompanha diariamente as novidades que surgem no mercado. Mas, muitas vezes, continua convivendo com processos lentos, retrabalho, equipes sobrecarregadas e sistemas que não conversam entre si.
O problema pode não estar na inteligência artificial.
Pode estar na operação.
No novo episódio do Vamos de Vendas, Gustavo Pagotto conversa com Diego Minone, Head de Marketing da Pluga, sobre como automações, integrações e agentes de IA podem aumentar a produtividade das empresas sem cair nas armadilhas do hype tecnológico.
A principal provocação é simples: a inteligência artificial não cria eficiência sozinha. Ela potencializa a forma como a empresa já trabalha.
O maior erro é começar pela tecnologia
É comum ver empresas buscando implementar agentes de IA antes mesmo de entender seus próprios processos.
A expectativa é automatizar tarefas rapidamente, reduzir custos e ganhar produtividade em poucas semanas.
Na prática, o resultado costuma ser outro.
Quando um processo é mal estruturado, a inteligência artificial apenas executa esse mesmo processo com mais velocidade. Ela não elimina gargalos, não corrige fluxos mal definidos e nem resolve falhas de comunicação entre áreas.
Antes de pensar em IA, é preciso entender como o trabalho acontece hoje.
Porque automatizar um processo ruim não torna a operação melhor.
Apenas torna os problemas mais rápidos.
Integração gera mais resultado do que acumular ferramentas
Outro ponto importante discutido no episódio é a quantidade de sistemas que fazem parte da rotina das empresas.
Marketing, vendas, financeiro e atendimento costumam utilizar plataformas diferentes, cada uma resolvendo uma necessidade específica.
O desafio aparece quando essas ferramentas deixam de compartilhar informações.
É nesse momento que surgem tarefas repetitivas, atualizações manuais, retrabalho e perda de tempo com atividades que poderiam acontecer automaticamente.
Por isso, muitas empresas acreditam que precisam de mais tecnologia, quando, na verdade, precisam fazer melhor uso da tecnologia que já possuem.
Mais do que adquirir novas ferramentas, o ganho de produtividade está em conectá-las de forma inteligente.
Agentes de IA não substituem automações
Existe uma tendência de tratar qualquer fluxo automatizado como inteligência artificial.
Mas são conceitos diferentes.
Automações determinísticas executam regras previamente definidas. Sempre que uma condição acontece, a ação será exatamente a mesma.
Já um agente de IA trabalha com contexto.
Ele interpreta informações, segue instruções e toma decisões dentro dos limites que recebeu.
Essa diferença muda completamente a forma de implementar cada solução.
Enquanto uma automação depende de regras claras, um agente depende de direcionamento, contexto e acompanhamento constante.
Entender essa diferença evita expectativas irreais sobre o papel da inteligência artificial dentro da operação.
Um bom agente depende muito mais das instruções do que da ferramenta
Outro aprendizado importante do episódio é que criar um agente de IA deixou de ser uma barreira técnica.
O verdadeiro desafio começa depois.
Assim como um novo colaborador, um agente precisa entender qual é sua função, quais decisões pode tomar, quando deve acionar um humano e quais informações fazem parte da realidade da empresa.
Sem esse contexto, ele passa a responder de forma genérica, criando experiências pouco úteis para clientes e equipes.
No fim, o desempenho de um agente está menos relacionado ao modelo utilizado e muito mais à qualidade das instruções que recebe.
Inteligência artificial também exige manutenção
Existe um mito de que basta criar um agente para que ele funcione perfeitamente dali em diante.
A realidade é diferente.
À medida que novos cenários aparecem, clientes fazem perguntas diferentes e processos evoluem, os agentes também precisam evoluir.
Isso significa revisar respostas, ajustar instruções, incorporar novos conhecimentos e acompanhar continuamente o desempenho da operação.
Empresas que entendem essa dinâmica deixam de enxergar a IA como um projeto pontual.
Passam a tratá-la como uma capacidade que precisa ser desenvolvida ao longo do tempo.
IA não substitui pessoas
Um dos principais aprendizados do episódio é que o objetivo da inteligência artificial não deveria ser eliminar o trabalho humano.
Deveria ser eliminar o trabalho repetitivo.
Quando tarefas operacionais deixam de consumir tempo das equipes, sobra espaço para atividades que exigem análise, relacionamento, criatividade e tomada de decisão.
É justamente aí que o trabalho humano gera mais valor.
No fim, automações ajudam.
Agentes aceleram.
Mas são processos bem estruturados, ferramentas integradas e pessoas focadas no que realmente importa que determinam até onde uma operação consegue crescer.
📌 Talvez a pergunta não seja “como criar um agente de IA?”
Mas sim: “minha operação está preparada para que um agente realmente gere produtividade?”.
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