ABM em pré-vendas: como sair do volume e vender com profundidade

Existe uma diferença enorme entre “falar com empresas parecidas” e construir uma estratégia real para conquistar contas estratégicas. 

Na aula da PipeLovers, Ariany Araujo, Account Based Marketing Specialist da Neogrid, mostrou como aplicar ABM em pré-vendas de forma prática e deixou claro: ABM não é uma campanha de e-mail com o nome da empresa no assunto.

ABM, ou Account Based Marketing, é uma estratégia que coloca a conta no centro da operação. Não o lead isolado, não uma lista genérica ou uma cadência igual para todo mundo.

A lógica muda, em vez de buscar volume, o time passa a escolher contas com alto potencial, estudar o contexto de cada uma e construir uma jornada coordenada entre marketing, pré-vendas e vendas.

E é aí que muita operação erra.

ABM não é outbound com personalização superficial

Um dos principais aprendizados da aula foi a diferença entre outbound tradicional e ABM.

No outbound, o foco costuma estar em escala: listas maiores, cadências padronizadas, segmentações por cargo, setor ou tamanho de empresa. Isso pode funcionar muito bem em várias estratégias comerciais.

Mas em ABM, o foco está em poucas contas prioritárias, com múltiplos decisores, alto potencial financeiro e uma abordagem construída com profundidade. A pergunta deixa de ser “como falar com mais gente?” e passa a ser: por que essa conta deveria falar com a gente agora?

Essa pergunta muda tudo.

Porque, para respondê-la bem, o SDR ou BDR não pode trabalhar sozinho. É preciso envolver marketing, pré-vendas e vendas em torno da mesma conta, das mesmas personas e dos mesmos sinais de oportunidade.

ABM é uma estratégia orquestrada.

O ponto de partida: escolher as contas certas

Nem toda conta precisa de ABM.

Essa foi uma provocação importante da aula: se o ticket é baixo ou o ciclo é mais simples, talvez faça mais sentido trabalhar com uma estratégia de outbound enterprise bem estruturada. ABM exige tempo, pesquisa, coordenação e personalização. Por isso, precisa ser aplicado onde existe potencial suficiente para justificar esse esforço.

O primeiro passo é escolher contas estratégicas.

Isso pode envolver critérios como:

  • Potencial financeiro da conta;
  • Fit com a solução;
  • Relevância do segmento;
  • Momento de mercado;
  • Probabilidade de expansão;
  • Presença de múltiplos stakeholders.

A partir dessa escolha, começa o trabalho mais importante: entender o contexto.

Dossiê do segmento: por que falar agora?

Antes de abordar uma conta, o time precisa entender o ambiente em que ela está inserida.

O dossiê do segmento serve exatamente para isso. Ele ajuda a identificar movimentos, dores, riscos e oportunidades que tornam aquela conversa relevante naquele momento.

Alguns exemplos de gatilhos que podem abrir uma boa abordagem:

  • Mudanças no mercado;
  • Novas leis, normas ou exigências técnicas;
  • Expansão da empresa;
  • Contratações recentes;
  • Mudanças de liderança;
  • Prêmios, investimentos ou crescimento acelerado;
  • Reclamações públicas ou riscos operacionais;
  • Movimentações de concorrentes.

O objetivo não é apenas levantar informações, mas construir uma tese.

Ou seja, por que essa empresa deveria se importar com esse problema agora?

Sem essa resposta, a abordagem vira genérica. Com essa resposta, o contato ganha contexto, urgência e valor.

Account planning: transformar pesquisa em estratégia

Depois de entender o segmento, vem o planejamento da conta.

Aqui, o time começa a conectar as informações de mercado com a realidade da empresa-alvo. O objetivo é responder perguntas como:

  • Qual problema essa conta provavelmente enfrenta?
  • Que impacto esse problema pode gerar no negócio?
  • Quem dentro da empresa sente essa dor?
  • Quem decide, influencia ou bloqueia a compra?
  • Qual mensagem faz sentido para cada pessoa?
  • Qual canal pode gerar mais abertura?

Esse planejamento evita um erro comum em pré-vendas: tratar todo contato dentro da conta como se tivesse a mesma dor, o mesmo poder e o mesmo interesse.

Em contas complexas, cada stakeholder enxerga o problema por uma lente diferente. O CFO pode se importar com custo, a operação pode se importar com eficiência e a diretoria pode se importar com risco, crescimento ou previsibilidade.

ABM exige falar com cada pessoa a partir do que importa para ela.

Account mapping: quem realmente move a conta?

Outro ponto central da aula foi o account mapping.

Mapear a conta significa entender o organograma, os papéis e as relações entre os stakeholders. Não basta encontrar “um decisor” no LinkedIn. 

Em vendas complexas, a decisão raramente está concentrada em uma única pessoa. É preciso identificar:

  • Decisores: quem aprova ou barra a compra.
  • Influenciadores: quem afeta a percepção interna sobre a solução.
  • Champions: quem pode defender a pauta dentro da conta.
  • Usuários: quem sente o problema no dia a dia.
  • Bloqueadores: quem pode resistir à mudança.

Esse mapeamento ajuda marketing, pré-vendas e vendas a trabalharem com mais precisão. Cada touchpoint passa a ter uma intenção: educar, engajar, abrir conversa, criar confiança, gerar prova ou avançar no relacionamento.

Sem account mapping, o time corre o risco de falar com a pessoa certa da forma errada ou com a pessoa errada durante tempo demais.

IA acelera, mas não substitui profundidade

A inteligência artificial apareceu como uma grande aliada para acelerar a execução de ABM.

Ferramentas como Claude, Perplexity, ChatGPT, Gemini e Copilot podem ajudar em várias etapas: pesquisar segmentos, resumir informações, analisar perfis de LinkedIn, criar hipóteses de abordagem, adaptar tom de voz e sugerir conexões entre dores e mensagens.

Mas existe um alerta importante: IA não faz milagre com contexto raso.

Se o time não entende o segmento, a conta e a persona, a IA tende a gerar abordagens bonitas, mas genéricas. Ela pode acelerar a pesquisa, organizar ideias e sugerir caminhos. Mas a inteligência estratégica continua vindo da qualidade das perguntas feitas pelo time.

A melhor aplicação da IA em ABM não é “escreva um e-mail para essa empresa”.

É algo mais próximo de: “Com base nesse contexto de mercado, nesse perfil de stakeholder e nesse possível desafio da conta, quais hipóteses de dor podemos testar na abordagem?”

Percebe a diferença?

A IA funciona melhor quando o vendedor já sabe o que está procurando.

ABM é jornada, não disparo

Talvez o maior erro seja tratar ABM como uma sequência de mensagens.

ABM é uma jornada. E essa jornada pode envolver e-mails, LinkedIn, conteúdo customizado, benchmarking, eventos, mídia segmentada, webinars, reuniões presenciais e até touchpoints entre diretorias.

O ponto não é usar muitos canais por usar. O ponto é construir uma experiência coerente para a conta.

Cada ação precisa reforçar a percepção de que aquela empresa foi escolhida com intenção. Que existe uma leitura real do seu momento. Que a conversa não é oportunista, mas relevante.

Por isso, começar pequeno é uma recomendação inteligente.

Em vez de tentar fazer ABM com dezenas de contas logo de início, escolha poucas. Teste a metodologia. Valide o fluxo. Entenda onde marketing entra, onde pré-vendas atua, onde vendas assume e como todos compartilham aprendizados.

ABM não escala pela pressa. Escala pela consistência do método.

ABM em pré-vendas é sobre trocar volume por precisão

É parar de medir esforço apenas por número de contatos feitos e começar a medir a qualidade da tese construída, do contexto levantado, dos stakeholders mapeados e da jornada criada para a conta.

📌 Se sua operação vende para contas estratégicas, com tickets maiores e múltiplos decisores, talvez o desafio não seja fazer mais outbound. Talvez seja escolher melhor, pesquisar melhor e orquestrar melhor.

Porque, em ABM, relevância não é detalhe, mas estratégia.

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